Ads

Últimas Notícias

A história do Reggaeton desde a sua complexidade à sua crise de identidade


Quando se fala em Reggaeton, muita gente pensa em Reggae, e não estão errados, afinal o estilo Reggaeton é uma vertente eletrônica do Reggae, porém bem diferente. Como se  já não bastasse a mistureba de estilos musicais que compõe o Reggaeton como reggae, rap, hip-hop e dancehall/Ragga, tem as misturas com salsa, mambo, kuduro, soca, cumbia, eletrônico, electro house, DubStep, Zouk e por ai vai...no Brasil a farofa ainda é maior por que misturar com coisa já misturada, geram coisas que nem cientistas são capazes de deduzirem, como foi o caso do Funkton, ou assim como alguns chamam de Rasteirinha. Mas se você pensa que essa confusão é exclusiva dos seguimentos musicas que compões a cena do Reggaeton atual, está muito enganado. A origem cultural e o idioma também é posta em discussão nas rodas de Reggaeton. Afinal, só existe Reggaeton em espanhol? Realmente o estilo é de Porto Rico?  

El General
Primeiramente venhamos a esclarecer uma coisa, Reggaeton é um estilo musical que surgiu dentro do Dancehall/Ragga, suas origens são Jamaicanas e era cantado por jamaicanos que viviam no Panamá. Naquela época a jamaica criava um estilo mais dançante de Reggae, chamado Dancehall/Ragga e eles levaram essa novidade para o Panamá. E obviamente para serem melhor aceitos eles cantavam esse novo tipo de Reggae em espanhol e também misturavam espanhol (idioma oficial do Panamá) com inglês.

O lance era deixar a novidade bem a cara do Panamá, mas os Panamenhos gostavam do jeito dos jamaicanos cantarem aquele novo reggae, e começaram a imitar a forma rápida e ditada de cantar se aproximando muito do Rap que em Porto Rico já estava crescendo muito e foi pra lá que o Reggaeton foi migrando, devido a grande influência dos Estados Unidos com o Hip-Hop e o Rap. A cena underground estava em alta e o Reggaeton chegou em um momento oportuno a ponto de se difundir com esses estilos que estavam em evidência na época, chegando até a serem confundidos com tais, porém criando agora sua própria cara a partir dessas influências.


A brincadeira começou a ficar séria, quando esse novo Reggae dançante cantado parecendo Rap teve sua visibilidade nas maratonas de rap (Maraton em espanhol) e daí então se criou o nome Reggaeton, que nada mais era do que o "Reggae cantado na MaraTON = ReggaeTON". O nome se popularizou e ganhou as ruas de Porto Rico, anos depois países vizinhos já tocavam a novidade e a cada lugar que ia passando ia se misturando com outros estilos. Para sair do underground e alcançar a classe A, cantores tentaram misturar o estilo urbano com estilos clássicos tocados nas casas de dança da elite latina, como mambo, salsa e bachata, para alcançar tanto a mídia quanto romper preconceitos sociais, e o resultado foi surpreendente. Tego Calderon se destacou na mistura do Reggaeton com Bachata e Daddy Yankee na mistura de Mambo e Salsa e a partir daí começou uma nova era para o até então desconhecido Reggaeton. 



O sucesso foi mundial e inesperado, os latinos estavam ganhando prêmios e batendo recordes antes só conquistados por norte americanos. Nesse momento não só os norte americanos aderiram ao movimento como também todo o mundo, inclusive o Brasil e começou assim a se criarem seguimentos de Reggaeton em cada parte do mundo, com suas devidas influências regionais. Dessa forma o Reggaeton se espalhou como um vírus, pois cantores de pop, de rock, de música eletrônica,de rap, Hip-hop... de vários estilos já consagrados tinham aderido ao Reggaeton, aumentando ainda mais o público aderentes da novidade.


Daddy Yankee no clipe Gasolina
A explosão foi tão imensa que Porto Rico foi infestada pelo Reggaeton se tornando o polo industrial do Reggaeton e sendo referência musical para o restante do mundo que seguia esse estilo. Quando a coisa começou a defasar, surgiu novamente a necessidade de modificar o estilo implementando novos seguimentos dentro do mesmo, como a música eletrônica, cumbia, soca, dentre outros, e surgiu então novos estilos como o Eletroflow e o Mombahton e até o Reggaeton Zumba. Na Europa também já haviam misturado o Reggaeton com o Kuduro e o resultado foi o surgimento de outro grande Hit pós Gasolina, que foi "Danza Kuduro". Foi notório que o Reggaeton usou durante muito tempo termos de língua inglesa para obter uma maior alcançabilidade e que até hoje apesar de não utilizar tanto essa ferramenta, é visível em muitas canções de reggaeton, principalmente dos cantores que foram morar em países de língua inglesa como Daddy Yankee, que como o próprio nome já denuncia, tem forte influência norte americana, não somente pelo inglês daddy que significa "Pai" mas também da história dos Yankees, antigos soldados, antigos habitantes da inglaterra, ou do norte dos Estados Unidos, visto por alguns como rebeldes. Mas sobre isso existem vários outros significados da palava Yankee. E devendo lembrar também que Porto Rico pertence aos Estados Unidos, logo a língua inglesa não é de se apresentar estranheza, apesar de aderirem apenas ao Espanhol como língua oficial.

Jesica Cirio y Juan Carlos Acosta dançando Reggaeton na TV
O Reggaeton ficou tão popular que acabou se tornando mais pop que o próprio pop, assim como previu um dos grandes cantores de Reggaeton e dancehall, Tego Calderon. No Brasil, um país onde a indústria musical é extremamente complexa e ainda não solidificada mundialmente, não só recebemos essas influências já prontas, como criamos caminhos também particulares. Alguns estilos usaram o Reggaeton para influenciar a criação de outros estilos como o Tecnobrega, e outros simplesmente usam o Reggaeton para mesclar com alguns estilos de música já contemplados no cenário brasileiro como Sertanejo, Samba ou Funk. Nessa brincadeira, um novo seguimento mais sólido que as demais misturas brasileiras foi criado, o Funkton, que uma de suas vertentes é conhecida como Rasteirinha, por desacelerar a batida do funk deixando bem sensual, lenta e rasteira  se aproximando do Reggaeton, misturando as batidas de ambos estilos de forma homogênea. O Brasil devido a sua complexidade musical, sempre foi um país que mais se importava do que exportava música e as variações musicais são inúmeras, devido a grande quantidade cultural de cada estado, dificultando uma solidificação ideológica na indústria fonográfica, como os Estados Unidos tem. Dessa forma a coisa fica muito subdividida e muitas vezes regional e o pouco Reggaeton que se faz no país, além de já ser diferente por sofrer influências do próprio país, é diferente também por sofrer influências dos estados a depender do local, logo , não se havia uma única corrente em uma só direção e sim vestígios de vários seguimentos saindo por todos os lados sem haver dono ou referências.

Cantor brasileiro de Reggaeton PAPO
Deve ser citado também que o Brasil é o único país da America Latina que não se fala espanhol e temos a falsa ilusão de que Reggaeton, tem e deve ser cantado em espanhol. Acredito que os panamenhos não pensaram que o novo reggae levado pelos jamaicanos tinha que ser em inglês. Hoje esse paradigma linguístico vem sendo quebrado, principalmente com os novos seguimentos que deram certo e que não havia influência da língua hispânica, mas muitos ainda acreditam que é necessária a presença da língua dos nossos hermanos, outros apenas adotam por familiaridade ou para dar referência. Mas ainda tem aqueles também que dizem que preferem "Reggaeton Latino", e esquecem que o Brasil ainda pertence a América Latina e que o estilo assim como outros países adotaram, o nosso também pode adotar, e sim, TAMBÉM SOMOS LATINOS.

Dessa forma os fãs de Reggaeton se dividem em grupos específicos, uns que gostam de Reggaeton com mambo, outros com bachata, outros mais eletrônicos, outros com um pegada mais reggae, uma coisa mais rap, quem sabe um tanto pop ou mais hip-hop, outros uma coisa mais ragga, outros mais cumbia e por ai vai. Além de ter aqueles que gostam de tudo, ou quase tudo e outros que gostam de quase nada. No Brasil a divisão mais notória é que além dessas subdivisões, aqui se divide extremamente em duas partes,  os que gostam e os que não gostam de Reggaeton Brasileiro. A principal queixa é a diferença de produção e do próprio idioma. E ainda dentro dessa divisão, existe a divisão dos que gostam de Reggaeton Brasileiro, mas não gostam de todos, pois cada um tem seu segmento regional e suas devidas influências. Uma pessoa que gosta de Reggaeton misturado com Samba dificilmente gosta de reggaeton misturado com Funk, ou Sertanejo. A complexidade não é pouca, e não para por ai, pois é necessário lembrarmos que o Reggaeton é dividido em algumas variações, como Perreo (para baile), Vacilon (Curtição), Underground (Música de Guetto que não contempla o cenário pop), Calle (Música da Rua), Romantic Style ou Romantiqueo (Música Romântica), Pop (O que tem influências do Pop Dance), Urban Latin (Música Latina, ou seja, o que não conseguiram classificar (risos)), tipo o Brasil que na dúvida chamam tudo de Música Brasileira, assim como no Brasil, eles chamam tudo de Latin Urban Music (Música Latina Urbana) canções de língua espanhola.

Cantor brasileiro de sertanejo, Lucas Lucco e o cantor colombiano de Reggaeton, Maluma
Graças a essa alta complexidade, o Reggaeton permanece até hoje em estado de mutação, na verdade, uma vitrine de várias possibilidades, quebrando vários paradigmas. O reggaeton é o orgulho Latino justamente por ser um potencial em ação infinita e devemos contribuir cada vez mais para o Brasil ter sua industria musical desse estilo, quebrando o paradigma do idioma, da cultura, ou estado. Está na hora de explicitarmos nossa produção e deixarmos de sermos apenas consumidores e passarmos a sermos produtores e continuarmos a escrevermos a nossa própria história.

Escrito por: Dermeval Neves
Fontes conceituais: A história do Reggaeton, Significado da palavra Yankee.